Ela

ELA

Recordo a tua imagem onde quer que esteja. Mesmo quando estou perdido entre os livros, vejo o teu rosto formar-se no conjunto das letras, outrora semeadas, nas imaculadas páginas onde repouso o triste véu a que chamo olhar. E assim fico, a olhar-te sem saber se é saudade ou insanidade aquilo que me invade quando te arrancas de mim. Persegue-me a eterna certeza de que, sem ti, serei para sempre livro incompleto, de páginas rasgadas pelo vazio que, entre capa e contracapa, a tua ausência espalha, no espaço que se preenche de memórias que já não sinto.

Mulher fatal, de corpo tatuado e olhos de esmeralda, o que quer que diga, jamais fará jus à bela realidade que deixas respirar pelos poros por onde exalas tão inebriante sensualidade.
A tua beleza é arma de arremesso e um perigo eminente que se divide entre o sagrado e o profano, entre o pecado e a castidade.
Sinto o fogo que ardeu e explodiu entre nós e permanece, no meu corpo, o queimar aveludado do teu regaço onde dormem as cinzas nostálgicas do que fomos.

E a sinfonia que toca no meu quarto fechado não me encoraja a enfrentar o mundo lá fora. Não consigo erguer-me da cama onde dorme o teu cheiro, porque isto é tudo o que resta daquilo que a carne uniu e o coração não esqueceu.
Depois de partires aprendi que as vitórias não têm sabor sem esse teu sorriso e que, em todos os lugares e na rotina dos dias, o amor deixa sempre raízes.

© Balthasar Sete-Sóis

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