Metamorfose

Nunca fui um só, não sei se algum dia serei.

Agasta-me a inflexibilidade de quem permanece fiel a um só ser interior, sem metamorfoses, ainda que temporárias.

Gosto de viajar entre o racional e equilibrado e o escritor de devaneios tresloucados.

Agrada-me envelhecer junto à lareira, na companhia dos que têm mais idade e de me perder na imaturidade infantil de uma criança.

Por dentro, tantas vezes e sem pudores, visto um coração de mulher e, por fora, exulto o ser social masculino que define o género com que me vêem.

Mas é esta capacidade de vestir a pele do outro, de nivelar-me, que dá sentido à minha existência.

Tristes daqueles que, agarrados ao que são, desperdiçam tantas vidas só para manterem uma ausência travestida de sólida aparência.

© Balthasar Sete-Sóis

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