Amor tatuado de morte

Em que te tornaste tu Romeu? Trocaste o cavalo branco por uma besta negra que acelera com dentes de sangue em direção à tua princesa. Tu Romeu que perdeste o romantismo e te alimentas do medo, da humilhação, da frustração, do pavor e do terror alheios! Quem és tu Romeu? Tu que promessas fizeste e agora lavas as mãos com o sangue da tua amada. Que tens os teus cinco minutos de fama mas que só serás recordado como um homem vil.

Em que te tornaste tu Julieta? Deixaste-te conduzir num cavalo negro como a cor que te dilacera o coração, adiaste as promessas que te fizeram para te tornares na mais miserável escrava no teu próprio reino. Quem és tu Julieta? O teu corpo jaz agora numa capa de jornal, sem brilho, nem fama nem glória. Tu que aguentaste calada quando querias gritar, que ficaste imóvel quando querias quebrar, que te deixaste ficar quando o que mais querias era partir.

Que amor é esse Romeu, que agora levas para a cela putrefacta em que te tornaste? Nunca mais serás recordado nem aplaudido por qualquer plateia!

Que amor foi esse Julieta, que banhaste com o teu próprio sangue já frio como o peso que trazias no peito? Serás recordada mas não mais aplaudida porque dos mortos não reza a história daqueles que ainda vivem!

Volta Shakespeare! Reescreve a história. Não a de Romeu e Julieta que morreram por se amarem demais, mas a história de amor dos homens que só se amaram a si próprios e das mulheres que amaram mais do que a si mesmas.

© BALTHASAR SETE-SÓIS

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