Sou

Sou um grande filho da puta, e digo-o com um orgulho visceral. No fundo sou um hipócrita, um lambe-botas, um lacaio e um linguarudo sempre à espera das migalhas que alimentam a intriga, conto tudo o que ouço porque a coscuvilhice assim me obriga. 

Não passo de um mete-nojo, de um cobarde desprezível, faço-me passar por honesto e aproveito-me disso para dizer tudo o que quero sem pudor ou arresto. 

Sou crítico, acusador, insolente, aponto o dedo, humilho, não faço favores, não engulo sapos, não papo grupos,  não me sensibilizo, não choro e assumo sem pudores que não quero agradar, respeitar nem perder-me em amores. 

Sou ganancioso, avarento, dissimulado, mesquinho, manipulador, sonso, uma besta e sempre que a bondade ou a ingenuidade em mim confiam, não hesito em provocar dor. 

Oportunista encartado,  canalha por vocação, pervertido, imprestável, inútil nas lides da fornicação, cínico, mau-caráter e obsceno sempre que a Deus dedico a minha oração. 

Sou um imbecil, um falso, um cretino, um pedante e nas artes que me foram oferecidas pelo destino, fui sempre professor e nunca estudante. 

Sou um ser insignificante, preguiçoso, repugnante, presunçoso, traidor, um lixo, um traste,  escória da sociedade, aquele a quem a vida não deu nenhuma oportunidade. 

Mas não me queixo, sou um filho da puta sem coração e, acreditem, nao é por vingança é apenas por opção. 

Todos os direitos reservados e protegidos pela lei em vigor

Código de autor – Lei 50/2004

Categories escritor, escrita, poeta

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