Quando, um destes dias, entrei num restaurante da capital, nem queria acreditar no que via. A confusão era demasiado surrealista para ser verdade e fiquei estupefacto com o que a nova lei dos animais provocou nos espaços de restauração.

Aquele espaço que se queria de higiene e de boa convivialidade, estava transformado no caos. E, deparar-me com tal cenário levou-me a questionar para onde vai este país.

Onde já se viu um espaço de refeição estar pejado de animais? Estavam ali, por todo o lado e como sabemos nem todos são educados, acrescendo que, nenhum deles conhece as regras da boa etiqueta.
Julgo que seja, também, do conhecimento geral que os animais não sabem pedir licença, não pedem desculpa, não dizem obrigado nem tão pouco pedem por favor.

E a forma como ingerem a comida não é, de todo, a mais agradável. Eles não levam a comida à boca como as pessoas, simplesmente mergulham a cabeça para chafurdar dentro do prato.

Como se tudo isto já não bastasse, faziam uma barulheira tremenda, impedindo o fluir sereno da comunicação entre as pessoas que se encontravam naquele agradável espaço.

A higiene foi também ela afectada pois, como todos sabemos, os animais sujam tudo, e sujam porque não tem qualquer intenção de limpar e porque não faz parte do seu protocolo de boa educação, já que estes são inexistentes no seio das suas respectivas espécies. Quando os animais defecam ou urinam não sabem o puxar o autoclismo, não usam o piaçaba nem tão pouco estão preocupados se a sua urina se encontra salpicada por todo o lado. Eles urinam e pronto. Alguém cuidará de limpar.

E depois existe a forma prepotente como hostilizam os empregados. Como não os conhecem, acham-se no direito de tratá-los com soberba e indiferença, como se de escravos se tratassem e cuja única missão seja a de servir suas excelências.

Dado todo este cenário decidi abandonar o espaço e quando cheguei à rua respirei de alívio e usufrui do ar fresco que pairava do lado de fora.
Quando olhei para a minha esquerda, reparei que estavam sentados à porta do restaurante, ordeiramente e em silêncio, três cães, quatro gatos, uma iguana e dois papagaios. Nesse momento constatei que, lá dentro, só estavam os animais.

Publicado em Bird Magazine.

Raul Tomé ☀ Balthasar Sete-Sóis

About Raul Tomé ☀ Balthasar Sete-Sóis

Raul Tomé é licenciado em Sociologia, Mestre em Ciências do Trabalho e Relações Laborais e Pós-Graduado em Políticas de Igualdade e Inclusão.
Ex-cronista do Jornal Negócios, autor e co-autor de artigos científicos, colabora actualmente com a revista Repórter Sombra.

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