Quando alguém diz que odeia ou que tem raiva de alguém, ainda que seja sobre alguma pessoa que nos seja desconhecida, temos de ligar todos os sinais de alarme.

É comum encontrarmos quem diga que odeia uma pessoa porque ela lhe fez isto ou aquilo, ou que tem imensa raiva de alguém por esta ou por aquela razão.

Claro que não nos encontramos aqui num exercício da verdade absoluta.

O que aqui se apresenta é apenas uma opinião que não pretende gerar debate, porque existirão muitas ideias distintas sobre este tema e, provavelmente, nenhuma delas estará totalmente correta ou totalmente errada.

No entanto, o que se pretende é aludir para o facto de que a atitude A ou B, por mais horrível que possa parecer, não é geradora de ódio ou raiva.

Esses sentimentos estão dentro da pessoa que os demonstra e não em algo externo a elas.

É comum que quem odeia ou sente raiva tente transportar, erradamente, a culpa desse sentimento para terceiros e, não raras vezes, assumem, de forma completamente absurda, que as pessoas por quem sentem ódio, também as odeiam de volta.

Claro que as pessoas podem desiludir-nos, magoar-nos ou deixar-nos tristes. É algo que faz parte da condição humana e é assim desde que o mundo é mundo.

Todavia, o desenvolvimento de sentimentos de ódio é da responsabilidade de cada um.

Podemos, inclusivamente, assistir a inúmeros relatos de pais que viram os seus filhos assassinados e que afirmam não odiar aqueles que roubaram a vida às pessoas que mais amavam no mundo.

E isto só acontece porque existem pessoas que não têm ódio ou raiva dentro de si.

Esses sentimentos são endógenos e são pertença de quem os sente e alimenta e não algo que alguém, por mais abjeto que seja, possa plantar dentro de ninguém.

No entanto, eles existem e estão, por vezes, escondidos e à espreita de uma qualquer oportunidade para se revelarem ao mundo, acabando até por se revelarem com base em razões infundadas e/ou absolutamente absurdas.

É, por isso, muito importante que cada um consiga olhar para si e perceber que tipo de pessoa quer ser e, se possível, matar esse bicho mau que corrói o interior de cada um.

Quando me perguntam se existe algum remédio que possa dizimar esse cancro, o que poderei responder é que só a automedicação poderá ajudar.

As drogas químicas ainda não estão suficientemente evoluídas para que possamos tomar comprimidos de amor, de perdão e de aceitação do outro e das atitudes que estes tomam.

O ódio e a raiva são os pais da guerra. Um copulando com o outro em total aberração.

No que me concerne, não faço a guerra porque só tenho paz no coração.

Artigo publicado no Repórter Sombra.

Raul Tomé ☀ Balthasar Sete-Sóis

About Raul Tomé ☀ Balthasar Sete-Sóis

Raul Tomé é licenciado em Sociologia, Mestre em Ciências do Trabalho e Relações Laborais e Pós-Graduado em Políticas de Igualdade e Inclusão.
Ex-cronista do Jornal Negócios, autor e co-autor de artigos científicos, colabora actualmente com a revista Repórter Sombra.

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