Energia. Todos temos uma. Nossa, indissociável do que somos e de quem somos.

Falo-vos de energia, mas não vos trago palavras sobre o cósmico, o transcendental ou sobrenatural. Longe disso. Abordo apenas o que é terreno. Quase palpável. Quase invisível ao visível a olho nu.

Sentimo-la. Absorvemo-la.

Quantos de nós não nos sentimos profundamente bem, perto de pessoas que, até nem sendo muito íntimas, nos transmitem boas sensações pelo simples facto de estarmos perto delas? Aquelas a quem, inúmeras vezes, chamamos de inspiradoras e positivas, apenas e só pela luz que irradiam?

Quantos do nós não nos sentimos já, absurdamente desgastados e enfraquecidos, por dividirmos o espaço com determinadas pessoas que nunca nos fizeram qualquer mal? Que, por mais que se esforcem por serem corretas e educadas connosco, nos pesam e quase nos sufocam?

A tudo isto podemos chamar de energia.
Positiva ou negativa, mas energia.

Não sou um especialista nas matérias da espiritualidade e por essa razão, a minha abordagem não se estende para além daquilo que ultrapasse o mais pragmático sentimento entre seres humanos.

E esse sentimento é, muitas vezes, avassaladoramente desconcertante.

Se por um lado sentimos que somos arrastados para situações que até nem queríamos, porque estamos perante alguém carismático e que nos influencia, por outro sentimo-nos muitas vezes culpados por não nos conseguirmos dar, mais do que o superficial, a alguém que tudo faz para nos agradar, por sentirmos que esse alguém esgota toda a energia vital de que dispomos.

É, no entanto, necessário não esquecermos que também nós podemos carregar ou descarregar totalmente a energia alheia, pela energia mais ou menos positiva que transportarmos.

E será essa energia passível de ser mudada? Melhorada?

Não sei responder-vos. Como anteriormente vos referi, não sou um especialista na matéria nem tenciono ir para além daquilo que eu próprio sinto na presença de determinadas pessoas.

Mas talvez seja necessário estarmos em contacto com ambas as energias, na dose certa, evidentemente.

Devemos ser egoístas e afastarmo-nos de quem nos consome toda a energia? Ou darmo-nos por forma a que os sugadores de energia se possam alimentar de uma boa energia que não têm?

Gostaria eu de responder-vos. Caberá, pois, a cada um de vós, perceber o que é melhor para si e aquilo que consegue ou não suportar.

Ainda assim acredito que, independentemente da energia que nos é particular, podemos mudar um pouco do que temos para oferecer se nos pautarmos por boas atitudes, quer em relação ao mundo que nos rodeia, quer em relação aos outros e a nós próprios.

Talvez se nos angustiarmos menos, se nos aborrecermos menos, se nos rivalizarmos menos, se julgarmos menos, se criticarmos menos, um pouco da nossa energia melhore. E essa mudança poderá ser benéfica para nós e para quem nos rodeia.

Imaginem por exemplo, tudo o que seja poluente.

Seja líquido ou sólido ou gasoso. Se filtrarmos e tratarmos deixaremos de poluir?

Não. Mas podemos tornar a terra mais fértil, os mares mais navegáveis e o ar mais respirável.

E se for isso que nos falta? Sermos filtros de nos próprios? Se formos donos e senhores da nossa energia? Se a distribuirmos e a orientarmos para coisas boas? Transformaremos nós a energia dos outros? Criaremos nós uma energia melhor à nossa volta?

Não sabemos. Mas, na dúvida, o que nos custa tentar? O que temos nós a perder? Talvez muito pouco. Talvez nada.

Parece-me importante que percebamos que a transformação e a adaptação não significam abdicarmos de quem somos.

Significa que, não raras vezes, desconhecemos o potencial que detemos e os danos colaterais que podemos provocar sobre os outros. Numas ocasiões, muito positivos, e noutras, tremendamente destrutivos.

Que sejamos por isso energia pura, energia limpa já que, quer queiramos quer não, partilharemos a nossa e receberemos a dos outros.
Tenhamos então energia boa para dar. Tenhamos, também, energia boa para receber.

E tu? Já pensaste, que tipo de energia queres ser?

Artigo publicado na Magazine Sentimentos.Online no dia 15 de Abril de 2020.

Raul Tomé ☀ Balthasar Sete-Sóis

About Raul Tomé ☀ Balthasar Sete-Sóis

Raul Tomé é licenciado em Sociologia, Mestre em Ciências do Trabalho e Relações Laborais e Pós-Graduado em Políticas de Igualdade e Inclusão.
Ex-cronista do Jornal Negócios, autor e co-autor de artigos científicos, colabora actualmente com a revista Repórter Sombra.

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